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Falar de Caños de Meca é falar do Estreito de Gibraltar, é falar de uma passagem obrigatória de civilizações que, durante séculos, aqui deixaram um legado muito importante. Caños de Meca é uma localidade de Barbate que, desde há duas décadas, se foi desenvolvendo, até se tornar num dos destinos turísticos por excelência da Costa de la Luz, da Costa de Cádiz. Os primeiros vestígios da actividade humana nesta zona datam da época paleolítica. Depois, Fenícios, Cartagineses e Romanos estiveram aqui a pescar atum, nesta zona de bonança.
Nos primórdios da civilização, o transporte marítimo era fundamental para o desenvolvimento das grandes cidades, que, na sua grande maioria, se instalavam perto do mar, para poder comerciar e desenvolver-se, uma vez que era por mar que tinham lugar as principais transacções comerciais. Daí que, em Caños de Meca, tal como em Barbate, Bolonia e Tarifa, os restos arqueológicos e o legado da passagem das civilizações seja uma realidade, sobretudo no que diz respeito aos Fenícios e aos Romanos. Para além de, em 1805, ter sido testemunha de uma das principais batalhas marítimas de todos os tempos, o Cabo de Trafalgar era antigamente uma passagem obrigatória nos percursos marítimos em direcção a Gades, Hispalis e Onuba, ou seja, Cádiz, Sevilla e Huelva, entre outros locais.
Tal como em Bolonia, as fábricas de salga eram muito importantes na economia dos Fenícios e dos Romanos, pelo que em Los Caños de Meca se pescava e preparava o atum, sobretudo para a extracção do Garum, um dos mais cobiçados manjares na Roma Imperial. Uma das lendas que são contadas acerca desta região é a do Templo ao Deus Juno, segundo a qual este Deus se encontra submerso nas águas do Cabo de Trafalgar, embora não existam provas disso.
Continuando a avançar na história, encontramo-nos na Ermida de San Ambrosio, da época visigoda. Este monumento ainda hoje se mantém de pé, podendo ser visitado.
Existe igualmente um legado muçulmano em Caños de Meca. De facto, junto ao Farol de Trafalgar, encontra-se a Torre de Trafalgar, que data do século IX d.C.. Outro dos legados do período árabe é o nome da localidade, Caños de Meca, uma vez que os Muçulmanos viram neste pequeno paraíso uma inspiração da sua Cidade Santa. Caños de Meca esteve sob o domínio muçulmano durante cinco século, até à Reconquista, efectuada por Alfonso X, El Sábio, no século XIII.
Os Muçulmanos estiveram nesta região durante vários séculos, até que, no século XV, a zona passou a fazer parte do Ducado dos Medina-Sidonia. É nesta época que a exploração das almadrabas é mais intensa, havendo várias na Enseada de Barbate. É nesta época que são construídas as torres de vigia, que avisavam a chegada dos piratas, e é nesta época que a zona se consolida como núcleo populacional, embora não na zona costeira, mas sim nas proximidades, como em Barbate, Conil ou Vejer de la Frontera.
Em 1805, o Cabo de Trafalgar foi testemunha directa da história, da batalha entre os ingleses e a Frota Aliada constituída por espanhóis e franceses, da morte do Almirante Nelson, um dos heróis da Frota Inglesa, que faleceu fruto da sua arrogância durante a batalha. Em finais do século XIX, é construído o Farol de Trafalgar, mítico e lendário, apesar de não ter ainda dois séculos. Este farol foi testemunha de muitos incidentes envolvendo barcos, pelos baixios que aqui se formam, bem como pela existência de zona pouco profundas. Actualmente, é um dos pontos preferidos pelos amantes do mergulho, embora seja uma zona na qual mergulhar envolve um nível elevado.
O interesse turístico de Caños de Meca começou nos anos sessenta, com as gentes das povoações mais próximas, depois com as de outras regiões próximas da Andaluzia. Os anos 70, a abertura das fronteiras, bem como a abertura das mentalidades, fez com que Caños de Meca se tenha tornado num destino turístico dos amantes do nudismo e da Natureza.
Actualmente, a crescente urbanização e a constante afluência de turistas são a nota dominante daquilo que um dia foi uma das fábricas de salga mais importantes do Império Romano.
As enseadas de Caños de Meca, o seu ambiente, o seu pouco desenvolvimento, o seu estado selvagem (ainda hoje, apesar da febre do cimento), são os ingredientes deste maravilhoso lugar chamado Caños de Meca. A Praia de Castillejos e a Praia do Pirata, a Praia de Marisucia, as enseadas, a Praia do Farol, são todas elas praias de areia dourada e com poucos serviços, devido à sua Natureza selvagem.
As enseadas são lugares recônditos, de difícil acesso, onde frequentemente se pratica o nudismo, embora seja uma praia totalmente livre, onde esta actividade não é obrigatória.
No que diz respeito ao meio ambiente, Caños de Meca encontra-se num ambiente natural único, rodeado pelo Parque Natural de La Breña, com as suas arribas, os seus pinheiros, os seus bosques e a sua fauna. Para além do mais, esta zona conta com os “Caños”, que dão nome ao lugar, que são verdadeiros duches de água doce, que caem directamente das arribas. Devemos ainda destacar o Tômbolo de Trafalgar, ilhota na qual se encontra o farol, bem como os extensos pinhais.
Outras praias interessantes para descobrir nesta zona são a Praia de Zahora e a Praia de Hierbabuena, bem como a Praia de Zahara de los Atunes, na fronteira com o município de Tarifa.
Há ainda a destacar que Caños de Meca se encontra em pleno coração da Costa de la Luz. Barbate – município a que pertence Caños de Meca – é um município que faz fronteira com os municípios de Conil, Tarifa e Vejer de la Frontera. |